Desepero humano

3 02 2010

O desespero humano pode gerar situações críticas ou soluções para os problemas.

Normalmente as soluções são um abraço para a vida e a negativa da morte, ainda que os pensamentos andem sem direção. Sempre bom ter uma mão amiga…

No desepero, Hamlet  divaga sobre o que deve fazer… Toma a melhor escolha… A vida.

“Ser ou não ser – eis a questão.

Será mais nobre sofrer na alma

Pedradas e flechadas do destino feroz

Ou pegar em armas contra o mar de angústias –

E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;

Só isso. E com o sono – dizem – extinguir

Dores do coração e as mil mazelas naturais

A que a carne é sujeita; eis a consumação

Ardente desejável. Morrer – dormir –

Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!

Quando tivermos escapado ao tumulto vital

Nos obrigam a hesitar – e é essa reflexão

Que dá a desventura uma vida tão longa.

Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,

A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,

As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,

A prepotências do mando, e o achincalhe

Que mérito paciente recebe dos inúteis,

Podendo, ele próprio, encontrar repouso

Com um simples punhal? Quem agüentaria os fardos,

Gemendo e suando numa vida servil,

Senão porque o terror de alguma coisa após a morte –

O país não descoberto, de cujos confins

Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,

Nos faz preferir e suportar os males que já temos,

A fugirmos pra outros que desconhecemos?”

SHAKESPEARE, William. Hamlet. In. Shakespeare: Obras escolhidas. Tradução de Millôr Fernandes. 560-561.





Onde a beleza fica? (Marcelino Lira)

3 02 2010

Lá,

Quando o delírio impera,

E a palavra cala,

O êxtase grita.

A flor desvanece;

Onde não há fala;

A seda não tece;

O Sol não brilha;

Poesia não encanta;

Razão enlouquece;

O tônus relaxa;

E o calor não aquece.

Quando só existem,

Em todo universo,

Os teus olhos e os meus,

A tua real beleza resplandece!





A cidade

27 12 2009

Recife

Uma cidade vestida de luz…





O Outro hoje?

27 12 2009

“Em outros termos, o Outro de ontem encobria duas entidades que devemos hoje distinguir: sua existência substancial e a sua necessidade lógica. O que a modernidade chegou a nos livrar é a existência substancial do Outro, mas não de sua necessidade lógica. Quando se pretende desembaraçar de sua necessidade lógica, passa-se para a pós-modernidade.”

LEBRUN, Jean-Pierre. Clínica da instituição. Tradução de Sandra Chapadeiro. Porto Alegre: CMC. 2009. p. 28.





A flor da amizade

27 12 2009

Algumas vezes, na vida, tudo o que precisamos é a flor da amizade para elevar a nossa estima.

Um amigo verdadeiro, ainda que ausente, faz toda diferença.

A palavra de afeto, o olhar, o carinho…

Acolhimento que não tem nome ou mensuração!





Apenas isso? (Marcelino Lira)

22 12 2009

O ser humano é apenas isso?

Ou isso?

Ou isso?





Esquizofrenia (Marcelino Lira)

20 12 2009

A fala fala da falácia fagocitária e falível do fato.

Conhecer o conhecimento contempla contra o cognicível.

Logo, a lógica logolálica localiza-se como lótus.

Saber só não satisfaz, simpatiza simplesmente.

Esquizofrenia é, em entorpecimento, efeito do ente.

Procura o que fala, e da lalia a cura.

Língua indolente, pontua o inconsciente.

Verdade nua, iminente e crua.





Vivendo de imagens… (Marcelino Lira)

16 12 2009

Um dia desses estava observando alguns turistas em um museu da cidade do Recife. Os turistas em si não chamavam tanta atenção quanto sua atitude.

Um guia explicava o que significava cada coisa, assim como fazem em todas as partes do mundo. Pobres guias. Os visitantes eram jovens que não estavam muito preocupados com o que lhes era dito, mas sim em tirar milhões de fotos. Não que tenha alguma coisa contra as fotos, ao inverso, mas o constrangedor da história é que estavam tirando fotos deles mesmos, tendo as peças ao fundo.

Junta um grupo e foto… Dois ou três e foto… “Agora uma minha” e foto… “Fulano! Você ainda não tirou uma comigo!!!” e foto… Na frente disso e foto… Na frente daquilo e foto… “Sorria!” e foto… “Pisquei?” e foto…

Estou certo que registrar o momento é parte importante da viagem. Principalmente quando é registrado na memória. O cheiro da terra, das flores, do ar. A umidade, o clima, a temperatura. A impressão do povo, das ruas, das artes. Perceber a História, a formação e o pensamento…

Parece mais importante mostrar que foi a algum lugar, como naquela foto ridícula “segurando” a Torre de Pisa ou aparecendo com a Torre Eiffel ao fundo, bem lá no fundo…

Sociedade midiática e a importância de aparecer na imagem…





Ele…En quoi le pédophile prend-il aujourd’hui une place particulière? (Jean-Pierre Lebrun)

9 12 2009





Poesia da palavra… (Marcelino Lira)

9 12 2009

Não quero ser Machado,

Brincando com o real,

Cutucando todo lado,

só ele magistral…

Não quero ser Pessoa,

brincando com as palavras,

Da poesia que  ecoa,

Qualquer que seja a lavra.

Não quero ser Azevedo,

Nem sua lápide ou flor,

Suas palavras dão medo,

Que refletem sua dor.

Não quero ser Caminha,

Em sua carta florida,

o Brasil por sua linha,

tenta retratar a vida.

Quem quer ser poeta,

e de poesia viver,

procura alcançar meta,

Sem, no entanto, se perder.

Não quer ser ninguém,

se não a si mesmo,

ler a outros convém,

ninguém se cria a esmo.

Subjetividade, eis o que busca,

a palavra é o meio,

objeto que ofusca,

é para a criança o seio.

Só tem uma regra,

para tornar-se  feliz,

lápis, papel e régua,

E tendo o que dizer: diz.