“Vossa existência, frágeis mortais,
é aos meus olhos menos que nada.
Felicidade só conheceis
imaginada; vossa ilusão
logo é seguida pela desdita.
Com teu destino por paradigma,
desventurado, mísero Édipo,
julgo impossível nesta vida
qualquer dos homens seja feliz!
Ele atira flechas mais longe
que outros homens e conquistou
(assim pensava, Zeus poderoso)
incomparável felicidade.
(…)
Édipo ilustre, muito querido!
Tu és o filho que atravessou
a mesma porta que antes
teu pai entrara; nela te obrigas
num matrimônio jamais pensado!
Como pudera, rei meu senhor,
as sementeiras do rei teu pai
dar-te acolhida, silenciosas,
por tanto tempo?
Como, infeliz?”
SÓFOCLES. Édipo rei. In. A trilogia tebana. Tradução do grego de Mário da Gama Kury. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, p.83. (Tragédia grega, v. I).
