Em uma aula de quinta-feira uma aluna me pergunta se haverá aula no dia seguinte. Como não tinha nenhum feriado perquntei o que qualquer pessoa normal faria:
Por que?
A resposta foi de causar nota:
Porque é sexta-feira.
Dava para perceber a ausência de malícia no tom de voz, assim como na postura da aluna.
Então o programa maiêutico começa a funcionar e pergunta:
Se não houvesse aula nas sextas vocês começariam a sair na quinta?
Ela respondeu um “sim” tímido entendendo o que eu queria dizer.
Só para deixar claro eu perguntei:
E o que aconteceria com as quintas?
Ela:
Perguntaria se haveria aula!
Algumas vezes é apenas desconhecimento e não maldade ou descomprometimento… Ao menos eu quero acreditar que sim…
Aula no dia anterior (quarta-feira):
ALUNA: “Prof., agora fala sobre as agressões de luz e som?”
PROF.: “O olho é formado pela pupila, que não fica na frente, fica aqui atrás… a imagem se forma a partir dos bastonetes e cones… passa pelo nervo óptico e é levada pelo segundo par craniano até o cérebro… o cérebro possui identifica cada aspecto da imagem em uma região diferente… A luz quando entra…”
PROF.: “Os sons chegam ao ouvido humano por ondas… vibram o tímpano… fazem vibrar também os menores ossos do corpo humano… passa por dentro da cóclea – a palavra ‘cóclea’ significa ‘caracol’ em grego -… dentro dos canais da cóclea há cílios e um meio aquoso… as ondas sonoras fazem o líquido ir e voltar pelos cílios da cóclea… o estímulo é levado pelo oitavo par craniano a uma região do cérebro que vai identificar aquele barulho… então você se assusta antes de saber o que é o som…”
ALUNA: “Ah, professor. Então a luz queima a retina e o som destrói o tímpano. Pronto, é mais fácil.”.
Qual é a diferença para a atitude da aluna da quinta?
Parafraseando Vinícius: “Porque hoje é aula…”
Ser professor tem a desvantagem de receber dos alunos coisas que os deixam tristes…