
O filósofo Friedrich Nietzsche é um dos pensadores mais controversos da humanidade. Por certo a figura do Zaratrusta é uma auto-referência de “profeta” da boa nova, que, por sua natureza, não é entendida por seus pares. Evidentemente o profeta fica isolado. Assim se sentiu Nietzsche por querer dar uma moral “positiva” para a humanidade.
Quanto ao “auto-conhecimento” que está necessariamente, para o filósofo, imbricado para atingir essa moral, tem o seu foco oculto do próprio homem.
“Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos, de nós mesmos somos desconhecidos – e não sem motivo. Nunca nos procuramos: como poderia acontecer que um dia nos encontrássemos? (…)
Quanto ao mais da vida, as chamadas ‘vivências’, qual de nós pode levá-las a sério? Ou ter tempo para elas? Nas experiências presentes, receio, estamos sempre ‘ausentes’: nelas não temos nosso coração – para elas não temos ouvidos. Antes, como alguém divinamente disperso e imerso em si, a quem os sinos acabaram de estrondear no ouvido as dozes batidas do meio-dia, e súbido acorda e se pergunta ‘o que foi que soou?’ “. (1)
O referido alheiamento seria percebido como mais profundo que Nietzsche imaginava pois atinge não só o consciente das pessoas, mas também a relação inconsciente…

Dom Quixote queria se tornar Odisseu, por isso em lugar de moinhos de vento só via Polifemo…
(1) NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras. 2008. p. 07.
“O referido alheiamento seria…” – percebido!
“Dom Quixote queria se tornar Odisseu, por isso em lugar de moinhos de vento só via Polifemo…”
Nosso “auto-desconhecimento” faz com que busquemos nossos objetivos olhando nossos obstáculos/inimigos, ao invés de olharmos nossas próprias forças…
“Quando eu disse ao caroço de laranja, que dentro dele dormia um laranjal inteirinho, ele me olhou estupidamente incrédulo”. (Hermógenes)
Se nos buscássemos a nós mesmos (redundante, para enfatizar), se déssemos ouvidos ao nosso potencial e tivéssemos coração para compreender nossas fraquezas/limites, saberíamos que o herói responsável por nossas vitórias somos nós e o maior inimigo a vencer também está dentro de nós. Apenas um triunfará na guerra e o vencedor é escolhido… por nós.
“Seja que nem um passarinho, que ao pousar-se num galho e sentir-se estremecer, ainda canta feliz, porque sabe que tem asas para voar” (Antony de Mello)
Melhor que esse processo (de auto-conhecimento, de decidir o vencedor da guerra) seja um processo consciente, ao menos para que tenhamos, o mais que possível, o controle da situação.
Aliás… é possível que isso se dê de forma inconsciente?… acho que não…
e aquele “s” enxerido ali?