Perverso polimorfo (por Marcelino Lira)

20 08 2007

 

 

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Quando sentados em casa, a maioria das pessoas se considera normal vendo a televisão, as coisas que existem nos porões do inconsciente afloram de forma que nem elas, obviamente, percebem. Por isso agem com estranheza quando percebem atos, por assim dizer, “insanos”. A natureza e motivação de muitas atitudes humanas têm respaldo causal na teoria freudiana, sem desmerecer, obviamente, as contribuições psicanalíticas posteriores. O livro “Psicopatologia da vida cotidiana” (Zur psychopathologie des alltagsleben, 1901; ESB, v. VI) revela a sua intenção teórica e prática de através dos sintomas de pequenos “enganos” da razão demonstrar o funcionamento da mente humana. Cria, depois disso, uma verdadeira topografia do pensamento. No cume da mente está a racionalidade que temos acesso. Alicerçando o consciente, existem as motivações e lembranças que inclinam nossas decisões a ponto de pôr em dúvida, ao menos experiente na área, quem comanda quem. No mais existe também a questão que a criança e as psicopatologias são indicadores extremamente importantes para a persepção do funcionamento do comportamento humano. O infante e seus desejos são grandes exemplos disso.

“Na teoria da psicanálise não hesitamos em supor que o curso tomado pelos eventos mentais está automaticamente regulado pelo princípio do prazer, ou seja acreditamos que o curso desses eventos é invariavelmente colocado em movimento por uma tensão desagradável e que toma uma direção tal, que seu resultado final coincide com a redução dessa tensão, isso é, com uma evitação de desprazer ou uma produção de prazer.” (FREUD. S. Além do princípio do prazer. ESB, 1920/1996, p. 17.)

O perverso polimorfo, que pode extrair prazer de diversas áreas de sua pessoa, de sua individualidade, e, ainda, sedento de prazer é um bom exemplo disso. Não podemos negar que a civilização tem o seu papel de “disciplinar” o referido desejo, mas, ao mesmo tempo, fornece a possibilidade de aliviar a insegurança através da “ananke” comunitária. Diferente seria admitir que o elemento primitivo de obtenção de prazer tenha desaparecido da fase primitiva da mente.

“Contudo, terei eu o direito de presumir a sobrevivência de algo que já se encontrava originalmente lá, lado a lado com o que posteriormente dele se derivou? Sem dúvida que sim. Nada existe de estranho em tal fenômeno, tanto no campo mental como em qualquer outro” (FREUD, S. O mal-estar da cultura. ESB, 1929/1996, p.77).

Querendo conhecer o estranho e perverso polimorfo, cito o homem, tem o criminólogo um caminho mais fácil para a descoberta de elementos que minorem a ação predatória dele contra o semelhante e, antes, contra ele mesmo.

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18 09 2013
S

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