Bêbado no elevador… (por Marcelino Lira)

25 08 2007

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Subindo no elevador hoje vi um homem quase que completamente embriagado. Subo no elevador no térreo e ele vai ao subsolo. Quando a porta se abre está ele com uma camisa vermelha e bermuda. Sandália de calçar. Aparentemente com quarenta e alguns. Falando com um outro indivíduo, mais novo, que se encontra também do lado de fora e segurando a porta. De início fiquei um pouco desconfortável com a questão. Estavam segurando a porta para conversar. O mais velho agradecia ao outro e chegou mesmo a abraçá-lo. “Muito obrigado mesmo!” . E essa era a tônica da conversa, sendo que o mais novo não sabia o que dizer a não ser “não foi nada, não se preocupe”. Ele sobe. Boa noi…tardeeee. É que estou meio… (Cambaleando). Tenta acertar o dedo no andar que pretende ir. Suspira. Ai essa vida! Exclama. Eu particularmente não o conheço. Os prédios são, por vezes, lugares onde se pode ficar em solidão com mais quatrocentas pessoas. 

Sobe um casal no térreo. Boa tarde! Boa tarde aos senhores! Fica evidente o cheiro de bebida. São quase três da tarde. O casal fica um pouco constrangido e não responde. Entra e fica enconstado na parede, o mais distante possível. Ficam calados e olhando para o chão. Até o quinto andar. Parece que o tempo vai parar e o andar não chega. Dava pra ver a expressão deles. Na verdade, no tempo deles, parecia uma infinidade. Nem que tivéssemos de ir ao 50º seria tão longa a viagem quanto foi a nossa… Assim que chegou no andar do casal, o homem abriu rapidamente a porta e esperou que a mulher passasse. O bêbado falando alto, para o rápido casal que já se fazia distante: “Boa tarde para os senhores!”.

Foi sincero na afirmação.Só restando eu e ele desabafa:

Essa vida é fogo! Em um momento se está por cima, em outro se está por baixo… Não dá pra entender. Não dá pra entender… Como é que pode ser uma coisa dessas! Como a vida é terrível, não é?”

Do meu lado penso por um pouco e respondo: Ela é, como o senhor disse, “terrível”.

Chega o meu andar. Ao sair, vejo a figura cambaleante segurando no apoio e desconsertado com a situação. Digo: Mas ela é cíclica. Bom retorno!

Ele olha pra mim, nitidamente reconfortado e diz “obrigado mesmo!” Bate nas minhas costas e eu saio.Como algumas pessoas precisam de pouco para se sentir melhores! O problema está justamente em pensar que as outras não são “outras” e sim coisas…

Boa sorte para aquele homem… Normalmente momentos de crise são difíceis de encarar. Ainda mais quando se está bêbado…

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27 08 2007
Wilza Saraiva

Celino!! Muito legal esse sei blogsofia. 🙂 Esse relato do cara no elevador foi ótimo. Pensando no casal que evitou o pobre-bebum… Quantas vezes a gente perde a chance de oferecer uma palavra amiga a outro ser humano por N razões, a maioria, advindas de uma sociedade egoísta. Amanhã poderá ser a gente nesse mesmo elevador, tentando sobreviver, a custa de uns tragos, às agruras da vida. Nessas horas, todo mundo espera que um espírito acima da média tenha sensibilidade suficiente para percebê-lo e mostrar que nem está tão só assim. Keep on the good work! Bjuuu e vê se manda e-mail contando essa vida de escritor e tudo o mais! A minha tá muito sem graça. ahahah

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