Será que vou lembrar? (por Marcelino Lira)

14 04 2008

Será que vou lembrar?

 

A mente humana sempre prega peças em seus “usuários” porque o manual de instruções não põe as especificidades de cada máquina. Na maioria das vezes estes “detalhes” fazem todas as noções gerais caírem por terra, e qualquer questão relacionada à previsibilidade ou poder de cura estão fora de questão.

Então a pergunta “será que eu vou lembrar?” fica sempre rondando quem faz “provas”.

 

Quanto ao meu conteúdo de amanhã, aplicarei um teste a mim mesmo.

 

Os assuntos de amanhã dizer respeito a duas disciplinas. A primeira é “desenvolvimento da criança” e a segunda “teorias psicanalíticas”. Embora a primeira prova seja a de Psicanálise, deixá-la-ei pra explanar pro último, porque me sinto, evidentemente, mais à vontade com o conteúdo.

 

 Existem três autores a se abordarem e um assunto na prova. Um deles é daqueles que são aparentemente senso comum: A gravidez. Além disso, os autores John Bowlby, René Spitz e Donald W. Winnicott.

 

Quanto à gravidez, é um estado de inicial pânico pra mãe. Coitada dela…

Passa por elementos iniciais de retraimento, próprios dos meses iniciais. O referido retraimento ajuda na preservação do estado inicial de formação do novo ser humano que está por vir. Devido a natureza embrionária e sensível do nascituro, está este mais susceptível.

A ambivalência de sentimentos vivida pela mãe, no início da gravidez faz com que ela tenha sentimentos ambivalentes em relação ao seu estado e ao embrião. Amor/ódio, desejar/rejeitar são comuns. Fora disso, e da tormenta hormonal que ocorre, um período de aceitação aparece depois do terceiro mês, onde o retraimento desaparece e tem lugar a aceitação do estado. Evidente que quanto mais próximo o dia do nascimento, maior o medo e a ansiedade do parto e da dor, que pode vir, inclusive, sob a forma de negação.  

Os ataques ao embrião/ feto podem vir de diversos pontos. Endógenos, como características genéticas da mãe e do feto; exógenos, ambientas, como pragas, doenças, fome generalizada; e, por fim fatores psico-sociais, que estão na esfera humana da susceptibilidade (preconceitos, traumas etc).

 

Passando aos autores, existe em primeiro lugar o médico John Bowlby, que interessado em técnicas psicanalíticas, iniciou seus estudos em crianças apartadas das mães na “segunda guerra” de tal forma que ganhou notoriedade na Europa a ponto de ter sido indicado pela WHO para tratar do tema de crianças em situação de abandono.

Difere de Freud, mesmo sendo Psicanalista, por afastar-se do conceito de “desejo freudiano” e todas as suas pulsões. Concentra-se em questões hormonais e instintivas, fugindo da divisão instinkt & trieb de Freud.

O apego é elemento de necessidade primária, diferente da teoria ortodoxa, pois está inserida entre as necessidades corporais. A díade freudiana, no entanto foi mantida como amálgama inamovível. Existe uma dupla-face na questão do apego infantil. Uma delas está relacionada na necessidade do bebê ser protegido, e pra isso cria uma díade forte entre ele e a mãe. O outro ponto é que a relação evolui da mãe para outros membros da sociedade. Gradativamente. Desde que se sinta seguro que pode voltar…

Quando a mãe não dá a devida segurança simplesmente não atendendo o bebê ele se desespera com sua ausência e chora, depois passa ao sentimento de raiva de desolação, e, por fim, para simplesmente entrar em desesperança de tê-la de volta.

 

Já René Spitz tem uma abordagem diferente, até porque ele, como pediatra, ficou impressionado com um fenômeno que chamou de “hospitalismo” ou crianças institucionalizadas. O ponto central de sua obra está relacionado às fases que a criança atravessa, que são: Pré-objetal, precursor do objeto e fase objetal.

Na fase pré-objetal prevalece a manutenção do “nirvana”, ou seja, da quietude. Qualquer perturbação interna ou externa que provoque a quietude dá a criança a sensação de desprazer.

Já devido ao aprendizado mnêmico das sensações de prazer da manipulação do cuidador, aliado ao fato do desenvolvimento corporal do bebê faz com que identifique um sinal de prazer, tendo como resposta o sorriso. A máscara pode ser utilizada como um sinal de resposta gestáltica para a criança. Outra característica é a pequena, mas existente, capacidade de retardar a demanda pro prazer. É a fase do precursor do objeto.

Já o reconhecimento específico do objeto libidinal leva o indivíduo a “estranhar” outros que não são objeto pretendido. Daí que o bebê “estrana” outras pessoas. Outra questão importante é a relativa independência corporal da criança que precisa ser controlada dos perigos. Aprende o conceito de “não”. Finda o primeiro ano com a fase objetal.

 

Outro autor é o Donald W. Winnicott. Que se interessou basicamente por crianças, fazia, assim como Spitz, o caminho inverso de Freud. A díade é vista do ponto de vista do toque. O holding e o handling (modo como a criança é tocada e tratada) faz com que ela saia de uma esfera de dependência total para a independência. Transferência se dá pelo objeto transicional que ajuda a criança a sair da esfera da mãe (suficientemente boa) para a da capacidade de estar só (independência). A ilusão posta pelo objeto transicional faz com que a criança se sinta segura de sua ação desbravadora. A descoberta normalmente está na esfera do espaço potencial, que é a aquisição do conhecimento objetivo partindo do subjetivismo. Não podemos esquecer, evidentemente, a questão da criatividade, que torna são oindivíduo que pode neurotizar ou psicotizar de acordo com a situação, ainda que a doença seja um conceito amplo em Winnicott. Algumas vezes é preciso, segundo ele, adoecer para permanecer sadio…

 

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One response

16 06 2008
Laura Maciel Freire de Azevedo

Incrível isto: “Desde que se sinta seguro que pode voltar…”

A introjeção!!! Não é a mãe que deixa de ser importante, é o amor por ela!!!! Ela não se afastará. Ela estará ali!!! Ele sabe que pode voltar àqueles braços de novo!!! Ele sabe que pode encontrá-la novamente!!!!

Vai ver a “vigilância” para que o pai não a tome definitivamente seja o “esconderijo” da necessidade de se identificar com o pai!!!

Professor, está nascendo uma bolhinha… mas preciso estruturá-la melhor… Não estou segura dela. Mas essa frase ajudou um pouco. Sim, sim…

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