O ciúme

13 07 2008

 

 

« Comme je l’ai dejá montré, l’amour est, de toute les passions, la plus violente, et parmi tout les breuvages amers que la mélancolie d’amour nous fait avaler, cette chienne de jalousie est la pire. »

 

BOURTON, Robert. Anatomie de la mélancolie. Prefácio e dossier de Gisele Venet. Saint-Amand-Montrond : Gallimard-Folio, 2005, p.329.

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14 07 2008
Laura Maciel Freire de Azevedo

O amor tem em si um pouco de violência porque ele desarruma o conforto egoísta em que estamos acostumados a viver. De só nos preocuparmos com nós mesmos.
Por mais que tenhamos amizades e família, nós aprendemos e sabemos como viver sem eles. Porque a necessidade que temos deles é menor que a aquela que sentimos em relação a alguém que, em regra, nos conhece mais intimamente que qualquer um deles.
Esquecemos um pouco de nós para passarmos a nos dedicar ao outro. E ter problemas de outros, que tentamos resolver, faz-nos esquecer um pouco os nossos próprios problemas. Ao mesmo tempo, dá-nos o conforto de saber que não estamos sozinhos na luta contra nossos fantasmas.

O medo de perder esse porto seguro, essa segurança, essa fortaleza, o medo de perder o Outro que faz a gente experimentar, perante ele e nós mesmos, várias facetas que temos (porque, ao tentar descobrir várias formas de agradar ao objeto amado – o medo da “rotina” – faz com que descubramos outras capacidades que desconhecíamos), faz com que queiramos defender um pedaço de nós. É mais ou menos um reflexo do amor próprio. O amor por nós mesmos e nosso instinto de autodefesa é maior que o afeto pelo outro e a intenção de protegê-lo. Quando somos pessoas com senso de humanidade, defendemos o direito à vida, a que todos possam viver, e nos revoltamos ante homicídios, pois que “ninguém pode tirar a vida de ninguém”.
Mas quando amamos, defendemos AQUELA VIDA especificamente, porque NÓS mesmos dependemos dela. Perdê-la seria perder um referencial, a melhor perspectiva à diferenciação, o melhor “Outro”.

A pior coisa que existe a um ciumento é uma coisinha que, para quem é religioso, foi criado por Deus e coloca os homens inclusive contra Ele mesmo: o livre arbítrio. A incapacidade humana de manipular o pensamento e o sentimento dos outros.

Por outro lado, isso é muito melhor. Se o amor já é grande sentimento, avassalador da calmaria interna (dentro de nós, já não há apenas o nosso mundinho) e se não o podemos manipular, que alegria não é termos a consciência, livre de qualquer fantasia ou sonho ou imaginação sem base, constatarmos concretamente que alguém gosta de nós apesar de tudo PORQUE QUER!!!! Não determinamos que eles gostassem de nós. Eles abriram mão de uma parte de sua individualidade para permitir nossa entrada naquele espaço tão íntimo. Uma parte do Eu que se torna Nós.

Violências, conquanto sejam inevitáveis, devem ser moderáveis! Precisamos respeitar o espaço do outro, para que ele possa respeitar o nosso. Ainda existe, dentro de nós e do outro, uma parte do Eu que está intocável e assim deve permanecer, para que sempre tenhamos (e sejamos) efetivamente um “Outro” e não um espelho.

24 11 2009
Nicole

O ciúme dói nos cotovelos/na raiz dos cabelos/gela a sola dos pés/Faz os músculos ficarem moles/e o estômago vão e sem fome/Dói da flor da pele ao pó do osso/Rói do cóccix até o pescoço/Acende uma luz branca em seu umbigo/Você ama o inimigo, e se torna inimigo do amor/O ciúme dói do leito à margem/dói pra fora na paisagem, arde ao sol do fim do dia/Corre pelas veias na ramagem/atravessa a voz e a melodia.

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