História sem fim(?). Por Marcelino Lira

3 06 2009

infinito

Algumas coisas são realmente engraçadas quando a fitamos por diferentes visões de mundo.

Estava revisando alguns escritos para a publicação quando me deparo com idéias minhas das quais fico tentado a “aditar” novas visões com as quais o texto ficaria mais “rico”. Ao longo do texto foi uma constante que evidentemente, por sua natureza, me contive, pois pretendo preservar o pensamento da época.

As idéias antigas não podem ser classificadas como antigas ou invalidadas face aos novos conhecimentos adquiridos, sendo interessante, em trabalho posterior, apenas complementá-las. Nada de novo, pois as reiteradas revisões e notas de Freud sobre os seus escritos o dizem desde antes de meus avós nascerem.

A verdade de Heráclito, para o seu ponto de vista humano, é realmente válida para essa questão. Por curiosidade fui ler algumas coisas que tinha escrito na minha adolescência. Não pude conter o riso diante da ingenuidade que só a fase pueril pode produzir com tanto encanto (obviamente não para quem está passando por ela).

Sem querer voltar ao assunto da identidade, e tendo que passar por ela, inevitavelmente surge a pergunta para os escritos: quem é esse que escreveu, e que parece tanto comigo? “Parece” não é necessariamente “ser”, ao passo que “não ser” não exclui uma continuidade temporal do ser.

Última edição do livro pode ser sempre uma reviravolta.

Ainda que a história possa estar, doce e prazerosamente, sempre sem fim.

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3 06 2009
Laura Freire

Ah, os nossos sonhos e a nossa vontade de traduzi-los no papel!… Ah, nossas fases de desenvolvimento!… Ah, nossa vida, que, sendo humana, é tão versátil!…

Foste tu. Parece contigo porque alguma coisa daquele adolescente ficou no adulto que és hoje.

Daqui a 20 anos, quantas coisas que escrevestes hoje far-te-ão rir pela “ingenuidade”? Quererás enriquecer… mas por quê? Se deres a alguém que tenha a mesma idade que tinhas àquela época, estou certa que a pessoa não achará que teu texto foi tão bobo assim.

Era um momento da tua vida. Passavas por aquilo e sentias coisas em relação às circunstâncias que existiam à época. Naqueles tempos, nada daquilo, como tu mesmo reconheceste, nada daquilo era “infantil”, ou “ingênuo”, ou “tolo”, ou semelhante. Era verdadeiro! Se teve consequências boas, que as lembranças sejam guardadas; se foram ruins, que se lamente… Mas aquele texto representa idéias/experiências pensadas e vividas quando tu não eras quem és agora… Porque precisaste pensar daquela forma para pensares como pensas hoje.

Acredite no valor do passado; o presente só existe por causa dele.

Se não és mais aquele adolescente, lembra o que dele tens agora; espero que a nata boa tenhas guardado contigo; despreza o que não prestava. Lamentar o passado não faz ele mudar; o que pode ser lembrado com sorriso faz lembrar que a vida da gente é uma coisa muito boa (e, por vezes, divertida!).

Aquele rapaz não morreu; cresceu! Amadureceu um pouco mais. E ainda está em “processo de desenvolvimento”. Vai escrever ainda muita coisa que, no futuro, impressionará o (então sim) velho M., pela maturidade de idéias em pessoa tão jovem; e vai fazê-lo rir-se, sem acreditar que algum dia possa ter proferido palavras tão “ingênuas”…

Tem coisa melhor que o futuro? Tão bom quanto é o presente, que vai prepará-lo… que, por sua vez, é consequência do passado… Obviedades que deveriam ser “deletadas”… mas deixo-as aqui. Talvez não sejam tão inúteis…

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