Vivendo de imagens… (Marcelino Lira)

16 12 2009

Um dia desses estava observando alguns turistas em um museu da cidade do Recife. Os turistas em si não chamavam tanta atenção quanto sua atitude.

Um guia explicava o que significava cada coisa, assim como fazem em todas as partes do mundo. Pobres guias. Os visitantes eram jovens que não estavam muito preocupados com o que lhes era dito, mas sim em tirar milhões de fotos. Não que tenha alguma coisa contra as fotos, ao inverso, mas o constrangedor da história é que estavam tirando fotos deles mesmos, tendo as peças ao fundo.

Junta um grupo e foto… Dois ou três e foto… “Agora uma minha” e foto… “Fulano! Você ainda não tirou uma comigo!!!” e foto… Na frente disso e foto… Na frente daquilo e foto… “Sorria!” e foto… “Pisquei?” e foto…

Estou certo que registrar o momento é parte importante da viagem. Principalmente quando é registrado na memória. O cheiro da terra, das flores, do ar. A umidade, o clima, a temperatura. A impressão do povo, das ruas, das artes. Perceber a História, a formação e o pensamento…

Parece mais importante mostrar que foi a algum lugar, como naquela foto ridícula “segurando” a Torre de Pisa ou aparecendo com a Torre Eiffel ao fundo, bem lá no fundo…

Sociedade midiática e a importância de aparecer na imagem…

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2 responses

16 12 2009
Maria

É verdade, tudo verdade.
Não estás mentindo em nada, só esquecendo que tudo tem um outro lado.

19 08 2010
Laura Freire

Concordo plenamente, Maria!

Eram amigos e estavam se divertindo. Um dia, no futuro, talvez tenham interesse em saber as histórias dos guias e a importância dos objetos. Naquele momento, entretanto, o pensamento era registrar o passeio que fizeram juntos. Pois os objetos antigos ficarão ali, estarão nos livros de História… Mas eles não estarão sempre por perto…

No Shopping Center Recife, próximo ao cinema, há um stand de uma marca de máquina fotográfica. Você senta lá e eles tiram o que chamam de “foto panorâmica”, em que uma relevante faixa da realidade consegue sair na foto. Para demonstrar o efeito, o vendedor sugere que você se sente no centro de um painel, em cujas extremidades há o Coliseu e uma Pirâmide do Egito. O fato é que, quando a foto é tirada (a câmera em movimento), você sai com os dois monumentos de cada lado.
Aí depois você ganha a foto numa moldura de papel, com a marca da câmera, e tem um ímã de geladeira atrás.

Várias pessoas próximas a mim fizeram o experimento, com fotos tiradas em grupo. E sabe o que guardaram? A lembrança de estarem juntas. E isto é que é considerado o mais importante.

As torres são bonitas. As fotos (repetidas à exaustão) é só um modo de brincar.

O problema é quando um “chato” acha que elas deveriam ver as coisas como ele vê…

Ora, deixe as pessoas terem a idade delas, criatura!

(P.S.: detesto cheiro de terra molhada. Fico com a sensação de que está entrando terra nos meus pulmões. E depois que uma professora me disse que, quando chove, uma série de micro-organismos -é assim ou é do jeito antigo? – ficam suspensos e as pessoas respirando e achando bom… eca!)

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