Ulysses Pernambucano (Marcelino Lira)

21 08 2010

Algumas informações sobre Ulysses Pernambucano de Melo Sobrinho

Nascido em 06 de fevereiro de 1892, o recifense Ulysses Pernambucano formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1912. Até 1917 atua como médico generalista, algumas vezes até fora da seara da Medicina (como dentista), realizando várias atividades para atender áreas onde determinadas especialidades eram difíceis de encontrar (parece que a história não ensinou nada ao Brasil).

Saudades de Recife o fazem retornar ao lar, onde assume em 1917 a vaga de psiquiatra do então Asylo da Tamarineira. Por questões políticas foi preterido ao segundo lugar para a cátedra de Psicologia e Pedagogia da Escola Normal em 1918, tendo sido aprovado e assumindo a cadeira Lógica, Psicologia e História da Filosofia no tradicional Ginásio Pernambucano no mesmo ano.

Em 1920 assume a cadeira de Psiquiatria na Faculdade de Medicina.

Seus interesses eram os mais variados, mas especialmente, fora da medicina, as ciências humanas. Talvez por influência do seu primo Gilberto Freyre, como quem compartilhou estudos antropo-sociológicos de populações, em especial, o fato de ter abrigado os cultos afro-brasileiros da perseguição policial da época.

Sempre foi descrito como

Incansável em suas lutas, Ulysses Pernambucano, empreendedor de uma Psiquiatria politicamente engajada, dirigiu o Hospital da Tamarineira – Pernambuco, em que os pacientes, não mais contidos nos leitos, ocupavam-se da praxiterapia. Além das inúmeras contribuições no campo da Psiquiatria e da Psicologia Social, destacou-se pelos trabalhos no campo das drogas entorpecentes e alucinogênicas, dos testes psicológicos e nas pesquisas de laboratório e áreas clínicas e psicopatológicas.1

Por ser contestador da ordem posta, sofreu diversas retaliações, que fez com que seu primo dirigisse palavras de apoio declarando que

Ulysses Pernambucano foi um espírito cuja flama contrastava com a estagnação intelectual do Recife, nos anos de 1920 e 1930. Um psiquiatra além da Psiquiatria, com alma de sanitarista; um psicólogo e um psiquiatra alongados em ciências sociais. Nele o cientista não abafou o homem de ação; como dizia o mestre Lucena, além de inovar, ele sabia dirigir, administrar, liderar, orientar, animar vocações, estimular talentos e articular esforços conjuntos.2

Em 1925 cria o instituto de Psicologia e em 1928 assume a direção do Ginásio Pernambucano. Suas técnicas inovadoras para uma pedagogia voltada para os mais modernos elementos da época.

Em 1930 assume a direção do Hospital da Tamarineira, onde realiza diversas reformas.

Tamarineira (Hospital Ulysses Pernambucano) no Recife-PE

Já em 1934 realiza, com Gilberto Freyre, o Congresso Afro-brasileiro.

Devido a pressões políticas deixa o cargo de diretor do Hospital da Tamarineira em 1935, mas mesmo assim é preso por ser acusado de comunismo.

Em 1936 funda o Sanatório Recife, mas a expressão política e empreendedora é sufocada durante todo o Regime Vargas.

Sucumbe 5 de dezembro de 1943, no Rio de Janeiro, com apenas 51 anos de idade.

Referências

BASTOS, Othon. A atualidade de Ulysses Pernambucano. In. História da Psiquiatria em Pernambuco e outras histórias. Organizado por Othon Bastos. São Paulo: Lemos. 2002. p. 103-112.

MEMÓRIA DA LOUCURA. Personalidades: Ulysses Pernambucano (1892-1943) e Luiz Cerqueira (1911-1984). Obtido em <http://www.ccs.saude.gov.br/memoria%20da%20loucura/Mostra/cerqueira.html&gt;. Acessado em 18 de agosto de 2010.

THEOPHILO, Roque. Ulysses Pernambucano de Melo Sobrinho: Um dos pioneiros da Psicologia brasileira: Análise de fatos de sua vida. Obtido em <http://www.psicologia.org.br/internacional/artigo5.htm&gt;. Acessado em 18 de agosto de 2010.


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1MEMÓRIA DA LOUCURA. Personalidades: Ulysses Pernambucano (1892-1943) e Luiz Cerqueira (1911-1984). Obtido em <http://www.ccs.saude.gov.br/memoria%20da%20loucura/Mostra/cerqueira.html&gt;. Acessado em 18 de agosto de 2010.

2Gilberto Freyre apud BASTOS, Othon. A atualidade de Ulysses Pernambucano. In. História da Psiquiatria em Pernambuco e outras histórias. Organizado por Othon Bastos. São Paulo: Lemos. 2002. p. 104.

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