Sinto muito, mas não te odeio (Marcelino Lira)

5 03 2016

Michelangelo

   Eu sei que você realmente quer, mas não posso te atender. Sinto muitíssimo, eu não posso. Por mais que tenhas feito mal a mim e a outras pessoas eu não consigo te odiar. Não é por nada, não é que eu não te desconsidere, muito pelo contrário. É melhor eu te explicar para que entendas…
   Quando alguém faz mal a outro, normalmente o faz em razão de um motivo. Seja por egoísmo, por amor não correspondido, por medo, existe uma razão. Mesmo acontecendo o que os juristas chamam pomposamente de “libido por sangue”, tem as suas razões. Fico me perguntando qual o seu motivo. Será que você acredita que é muito melhor que eu, e, por conta disso, quer me fustigar para tomar o meu lugar? Será que você me ama de forma tamanha, e por não ser correspondido me ataca tanto? Será que você tem medo de mim, projetando seu próprio desejo de me destruir sobre minha pessoa, e daí surgiria o seu medo de mim? Será que você se considera “tão mínimo” que a maneira de me “vencer” seja justamente me atacando? As variáveis são imensas, e quanto mais penso, menos razões encontro pra te odiar.
   Diferente de você, eu considero todos os seres humanos, com o perdão da tautologia, humanos. Isto inclui as pessoas que são capazes de fazer mal. E, obviamente, capazes de fazer mal a mim. Posso até me sentir injustiçado, menoscabado, ferido. Agora posso te garantir que não te odeio. Quer descobrir o motivo? É que não te considero inimigo! Inimigo é um ser “mitológico”, uma criação assim como o das histórias infantis. São criados para nos assustar e, para alguns pais mais sádicos, forçar as crianças, por via do medo, a se comportarem exatamente como eles querem. Fábulas animalescas de seres que vivem a nos espreitar, cuja fonte vital de existência é nos destruir. Isso não existe realmente. Veja bem! Não tenho responsabilidade sobre as fantasias que você faz de mim. Principalmente quando elas me recobrem com as tintas de sua paranoia.
   Sei muito bem do mal que podes e algumas vezes me faz, contudo não o fazes como esse “monstro” criado. Alguns atos são aberrantes, perversos, sádicos. Dignos de registros nas páginas do inferno da Divina Comédia de Dante. O que você quer com isso? Por que dispensa tanto tempo e energia com coisas aparentemente pífias? A resposta está no óbvio: Na verdade o que queres é ser amado, compreendido, acolhido… Queres como todos os seres humanos ter sossego. Paz no coração e na alma. És, assim como eu, humano. Sendo assim, como posso te odiar? Como posso eu odiar um sujeito que na verdade está procurando, ainda que de forma mal orientada, a felicidade?
   Por isso não te odeio e, sinto muito, não vou te odiar.
   Desculpe! Se quiser ajuda estou aqui pra te ajudar!
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